Já todos passámos por aquilo: um olho tapado com uma pá de plástico, o outro a tentar decifrar letras cada vez mais pequenas numa parede iluminada, a alguns metros de distância. Demora menos de dois minutos. E, ainda assim, é um dos momentos mais mal compreendidos de toda a consulta de optometria — quase toda a gente sabe que está “a ler a tabela”, mas poucos sabem o que o número final quer realmente dizer.
Como funciona a tabela de optótipos
A tabela usada neste teste chama-se, tecnicamente, tabela de optótipos — os símbolos (normalmente letras, ou a letra “E” virada em várias direções, para crianças ou adultos que não sabem ler) desenhados segundo regras óticas muito precisas. Cada linha ocupa um ângulo de visão exato a uma determinada distância do olho, normalmente entre 5 e 6 metros num consultório, muitas vezes simulada através de um espelho para poupar espaço na sala. Não é uma questão de letras bonitas em tamanhos diferentes. É geometria aplicada à retina.
Porque é que as letras ficam cada vez mais pequenas
Cada linha representa um grau de exigência visual crescente. A primeira, grande, qualquer olho a distingue; a última é desenhada para exigir uma resolução que só um sistema visual muito nítido consegue captar àquela distância. O optometrista vai descendo até encontrar a linha mais pequena que a pessoa ainda consegue ler com segurança, aceitando normalmente um pequeno número de erros por linha. Esse ponto de paragem é que dá origem ao valor final.
O que significa um resultado como “10/10”
Em Portugal, e na maior parte da Europa, o resultado costuma ser dado em notação decimal — 10/10, 8/10, 5/10 — em vez da fração americana mais conhecida, o clássico “20/20”. Segundo a American Optometric Association, essa fração compara a distância a que a pessoa lê uma linha com a distância a que um olho de referência a leria — e o mesmo princípio serve de base à escala decimal. Um resultado de 10/10 significa que o olho lê à distância normal exatamente o que se espera de um olho de referência; um resultado de 5/10 significa, grosso modo, que seria preciso estar duas vezes mais perto para ver o que essa pessoa de referência vê à distância padrão. Não é uma nota de zero a dez. É uma proporção.
Ter 10/10 não é sinónimo de “ter boa visão”
Este é o ponto que mais se explica na loja, e vale a pena repeti-lo: a acuidade visual mede uma coisa só — a nitidez central, em boas condições de luz, a uma distância fixa. A American Academy of Ophthalmology é direta sobre isto: ter acuidade perfeita não garante saúde ocular perfeita, e recomenda exames de rotina mesmo a quem nunca teve dificuldade a ler a tabela. Visão periférica, perceção de profundidade, coordenação entre os dois olhos, visão noturna ou a pressão dentro do olho não aparecem nesse número. É perfeitamente possível ler a última linha sem falhar uma letra e, ainda assim, ter um princípio de glaucoma, um problema de foco que cansa ao fim do dia, ou olho seco que aquele teste isolado nunca vai avaliar.
A própria Organização Mundial da Saúde estima que, de cerca de mil milhões de pessoas no mundo com um problema de visão evitável ou ainda por tratar, quase 90 milhões de casos de visão ao longe estão ligados a erros refrativos simples — o tipo de situação que um teste feito isoladamente, sem o resto do exame, facilmente deixa passar. Vale a pena rever os sinais de alerta que já descrevemos no artigo 5 sinais que precisa de visitar um profissional de saúde ocular, mesmo com um “10/10” na mão.
Este artigo tem carácter informativo e não substitui uma avaliação individual feita por um profissional de saúde visual — só um exame completo, feito à pessoa, confirma o que está por trás de um número na tabela.
Quer perceber o que o seu resultado significa na prática? Marque uma consulta de optometria na Óptica CV | Casa da Visão, em Paredes — Av. da República, Nº102, 4580-193 Paredes, de segunda a sábado, das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 19h00. Pode ligar para 928155573 ou escrever-nos pelo WhatsApp.
Artigo preparado pela equipa da Óptica CV | Casa da Visão, com revisão da nossa optometrista responsável pela loja de Paredes.
