Comprou lentes progressivas há três dias e sente que o chão se mexe sempre que desce as escadas de casa? Ou olha de lado para o telemóvel e há ali uma zona turva, como se os óculos estivessem sujos mesmo depois de os limpar? Isto é normal. A questão não é se vai custar um pouco no início — quase sempre custa — mas durante quanto tempo, e o que fazer se o desconforto não largar.

Quanto tempo demora a adaptação, realisticamente

A Academia Americana de Oftalmologia estima que o período de ajuste pode ir de uma semana a dois meses, dependendo da pessoa e da graduação (AAO). É uma janela larga, e propositadamente: quem já usava óculos há anos costuma adaptar-se mais depressa do que quem experimenta multifocais pela primeira vez. Um estudo publicado na Scientific Reports acompanhou utilizadores de lentes progressivas durante cerca de um mês e verificou que quem não se adaptava nesse período continuava a tentar durante um a três meses antes de desistir — o que dá uma ideia de quão variável isto é de pessoa para pessoa (Nature Scientific Reports).

Na nossa experiência de balcão em Paredes, a maioria dos clientes sente-se confortável entre 10 e 15 dias de uso contínuo. Não é uma regra fixa. Quem passa o dia a trocar entre o ecrã do computador, o telemóvel e conversas cara a cara costuma notar a diferença mais depressa do que quem só usa os óculos ocasionalmente.

O que é normal sentir nos primeiros dias

As lentes progressivas têm uma zona para longe no topo, uma zona para perto na base, e uma faixa de transição no meio — e é precisamente nas laterais dessa faixa que a imagem fica distorcida. A Academia Americana de Oftalmologia descreve isto como sensação de desequilíbrio ou náusea ao olhar pela zona errada da lente, com distorção periférica quando os olhos se movem de lado a lado (AAO). É essa mesma distorção lateral — o efeito a que alguns chamam “swim” — que faz o chão parecer que se mexe ao descer escadas. A própria Zeiss reconhece abertamente que tonturas, dores de cabeça, tensão no pescoço e o risco de tropeçar nas escadas são queixas comuns nos primeiros dias (Zeiss).

Nada disto significa que a lente está mal feita. Significa que o cérebro ainda está a aprender que zona da lente usar para cada distância — trabalho neurológico, não só ótico.

O que ajuda a acelerar o processo

A dica mais repetida por quem trabalha com isto todos os dias também é a mais ignorada: mover a cabeça, não só os olhos. Quando se olha de lado apenas com os olhos, entra-se na zona periférica distorcida da lente; quando se roda ligeiramente a cabeça na direção do que se quer ver, o olhar mantém-se dentro do corredor central, mais nítido. Parece um detalhe pequeno. Na prática, é a diferença entre sentir vertigem a atravessar um corredor de supermercado e nem reparar que está a usar lentes novas.

Depois há a parte menos simpática: usar os óculos sempre, sem alternar com os antigos “só para umas horas”. Trocar entre progressivas e óculos antigos obriga o cérebro a recomeçar a aprendizagem de cada vez, o que prolonga tudo. A Academia Americana de Oftalmologia recomenda precisamente usar as lentes com a maior frequência possível para reduzir o tempo de adaptação (AAO). Se ainda tiver uma receita feita noutro local e quiser confirmar os valores antes de decidir, pode enviar-nos a receita externa para analisarmos.

E depois há só dar tempo. Parece óbvio, mas é o ponto onde mais gente desiste cedo demais — ao terceiro ou quarto dia, ainda dentro do que é esperado.

Quando o desconforto deixa de ser “normal”

Aqui vai a nossa opinião, com alguma experiência de balcão a sustentá-la: tolerar desconforto indefinidamente não é sinal de força de vontade, é sinal de que algo pode estar mal ajustado. Presbiopia — a razão pela qual a maioria das pessoas passa a precisar de lentes multifocais a partir dos 40 e poucos anos — corrige-se bem com progressivas quando a montagem está certa, e um optometrista deve ajustar a receita à distância de trabalho e ao estilo de vida de cada pessoa (AOA). Se ao fim de duas a três semanas de uso consistente ainda sentir dores de cabeça frequentes, visão distorcida que não melhora, ou continuar com sensação de instabilidade ao caminhar, vale mais a pena voltar à ótica do que continuar a “aguentar”. Pode ser um ajuste simples — a altura da montagem em relação à pupila é particularmente sensível nas progressivas, e um desvio de poucos milímetros já muda tudo.

Numa consulta de reajuste, o que fazemos é simples: medimos outra vez a altura pupilar com a armação já calçada, confirmamos se os óculos não escorregaram no nariz desde a entrega e verificamos se a lente montada corresponde mesmo à receita. Muitas vezes o problema não está na lente em si — está nesses milímetros de montagem, e resolve-se sem gastar dinheiro em lentes novas.

Este artigo tem fins informativos e não substitui uma avaliação individual feita por um profissional de saúde visual. Cada adaptação depende da graduação, da montagem e de fatores próprios de cada pessoa.

Se está a começar com lentes progressivas ou continua com dificuldade em adaptar-se, marque uma consulta de optometria na nossa loja em Paredes — vamos verificar a montagem, a graduação e o encaixe das lentes com calma. Marcar consulta, ligar para 928155573 ou escrever-nos pelo WhatsApp. Estamos na Av. da República, Nº102, em Paredes, de segunda a sábado, das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 19h00.

Artigo preparado pela equipa da Óptica CV | Casa da Visão, com revisão da nossa optometrista responsável pela loja de Paredes.

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